Pesquisar este blog

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

MOTIVAÇÃO E DISCIPLINA DO PROFESSOR


  

Resumo: O presente artigo é o resultado de uma pesquisa feita que teve como objetivo analisar as causas que levam os alunos à indisciplina, à falta de motivação e ao desinteresse pela participação nas aulas de Matemática, problema este que vem afetando de maneira acentuada o trabalho do Professor de Matemática.  Na pesquisa qualitativa, realizada em duas escolas, os instrumentos utilizados foram questionários: para professores, coordenadores, articuladores e alunos. Os resultados desta pesquisa proporcionam, aos professores, uma reflexão sobre as abordagens metodológicas utilizadas em seu trabalho, assim como uma análise sobre a realidade de cada turma, oferecendo condições para que o professor selecione estas abordagens de forma que o trabalho se torne mais produtivo, minimizando, assim, os problemas indisciplinares que vêm dificultando sua atuação em sala de aula. Também possibilitam ao professor refletir melhor sobre seu papel como coordenador e motivador da aprendizagem no ambiente escolar, para que esta ocorra num clima de participação e harmonia..

Palavras-Chave: Motivação; Disciplina; Professor; Matemática.


3.1  INTRODUÇÃO


Na sala de aula existe uma variedade de alunos de diferentes níveis de competência e de envolvimento nas aulas. Podemos observar que a aula pode ser muito rica para uns e pouco útil para outros, com grande envolvimento de alguns e nenhum interesse por parte de outros - que participam dela simplesmente por obrigação. O que pode responder a estes diferentes envolvimentos é o nível de motivação em que o aluno se encontra (CAETANO, 2009). Por isto, parafraseando (CAETANO, 2009) possível afirmar que, atualmente, o ensino da Matemática tem se tornado cada vez mais desafiante para o professor, principalmente no que diz respeito a como manter alunos de diferentes níveis de competência, provenientes de contextos e de históricos familiares diversificados, motivados, engajados e envolvidos nas aulas, sem que haja atitudes negativas e falta de esforço e de interesse em se envolver nas atividades.
Tendo em vista a relevância do tema, a finalidade deste artigo foi de expor ao leitor uma visão sobre a motivação e disciplina do professor, em especial o de Matemática. O tema surgiu após observações feitas em salas de aula na disciplina de Estágio Supervisionado I. Com isso descobri que educar exige, ao mesmo tempo, criatividade, flexibilidade, escuta e limite, além de competência acadêmica. Na teoria, isso parece fácil, mas na prática, não o é, visto queremos muita insegurança em relação ao processo de ensino-aprendizagem. Tempos atrás, talvez a tarefa de educar fosse mais simples, pela existência de regras rígidas. Hoje, essas regras foram excluídas do meio educacional devido às mudanças nas leis, comportamentos de educadores e educando e às próprias transformações sociais Entretanto, acredito que os professores podem encontrar alternativas para os problemas que os afligem no dia-a-dia da sala de aula, por meio do desenvolvimento de seus potenciais criativos, pela exploração da sensibilidade e expressividade.
O presente artigo procura contribuir nesse sentido, fazendo com que surjam informações que apontem caminhos para a melhoria no relacionamento entre professor/aluno e a conseqüente melhoria da atuação profissional. 


3.2  FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


De acordo com Book, (1999, p.117 citado por Ana M. Bahia, 1999,), a aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, envolvendo aspectos cognitivos, disciplinares, motivacionais, psicossociais e culturais. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos.         Em função disto, torna-se necessário  compreender que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam o processo de aprendizagem. Em outras palavras, cada pessoa aprende a seu modo, estilo e ritmo.
Quando nos referimos a uma acumulação de teorias, idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens, mas como todo produto é indissociável de um processo, podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa. Além disto, vale lembrar, como nos sugere Gadotti (2003), que a
 beleza existe em todo lugar. Percebê-la depende do nosso olhar, da nossa sensibilidade; depende da nossa consciência, do nosso trabalho e do nosso cuidado. A beleza existe porque o ser humano é capaz de sonhar. Paulo Freire (FREIRE, Educação e mudança, 1979 citado por Gadotti),  nos fala em sua Pedagogia da autonomia da “boniteza de ser gente , da boniteza de ser professor: “ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria” . Assim, avalia Gadotti, Paulo Freire, (FREIRE, 1979) chama a atenção para a essencialidade do componente estético da formação do educador e, então nos assegura que: “enquanto não construirmos um novo sentido para a nossa profissão, sentido esse que está ligado à própria função da escola na sociedade aprendente, esse vazio, essa perplexidade, essa crise, deverão continuar”. (GADOTTI, 2003).
 De fato, concordo com este autor quando ele afirma que:
 Em sua essência, ser professor hoje, não é nem mais difícil nem mais fácil do que era há algumas décadas atrás. É diferente. Diante da velocidade com que a informação se desloca, envelhece e morre, diante de um mundo em constante mudança, seu papel vem mudando, senão na essencial tarefa de educar, pelo menos na tarefa de ensinar, de conduzir a aprendizagem e na sua própria formação que se tornou permanentemente necessária.
Hoje vale tudo para aprender. Isso vai além da “reciclagem” e da atualização de conhecimentos e muito mais além da “assimilação” de conhecimentos. A sociedade do conhecimento é uma sociedade de múltiplas oportunidades de aprendizagem. As conseqüências para a escola, para o professor e para a educação em geral são enormes: ensinar a pensar; saber comunicar-se; saber pesquisar; ter raciocínio lógico; fazer sínteses e elaborações teóricas; saber organizar o seu próprio trabalho; ter disciplina para o trabalho; ser independente e autônomo; saber articular o conhecimento com a prática; ser aprendiz autônomo e a distância. Nesse contexto, o professor é muito mais um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. O aluno precisa construir e reconstruir conhecimento a partir do que faz. Para isso o professor também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos. Ele deixará de ser um “lecionador” para ser um organizador do conhecimento e da aprendizagem. Em resumo, poderíamos dizer que o professor se tornou um aprendiz permanente, um construtor de sentidos, um cooperador, e, sobretudo, um organizador da aprendizagem.  (GADOTTI, 2003)

A motivação é, portanto, como afirma Oliveira Filho (2009), o processo que mobiliza o organismo para a ação, a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente, a necessidade e o objeto de satisfação. Segundo ele, isso significa que, na base da motivação, está sempre um organismo que apresenta uma necessidade, um desejo, uma intenção, um interesse, uma vontade ou uma predisposição para agir. A motivação está também incluído o ambiente que estimula o organismo e que oferece o objeto de satisfação.                   Nesse sentido, diz Oliveira Filho (2009),uma das grandes virtudes da motivação é melhorar a atenção e a concentração, nessa perspectiva pode-se dizer que a motivação é a força que move o sujeito a realizar atividades.
Ao sentir-se motivado o individuo tem vontade de fazer alguma coisa e se torna capaz de manter o esforço necessário durante o tempo necessário para atingir o objetivo proposto.                   Por sua vez, Bock, (citado por Ana M. Bahia, 1999, p. 121) também afirma que a preocupação do ensino tem sido a de criar condições tais, que o aluno “fique a fim” de aprender.Diante desse contexto, percebe-se que a motivação deve ser considerada pelos professores de forma cuidadosa, procurando mobilizar as capacidades e potencialidades dos alunos a este nível.
Torna-se tarefa primordial do professor identificar e aproveitar aquilo que atrai a criança, aquilo do que ela gosta, como modo de privilegiar seus interesses.
Motivar passa a ser, também, um trabalho de atrair, encantar, prender a atenção, seduzir o aluno, utilizando o que a criança gosta de fazer como forma de engajá-la no ensino. Assume-se, portanto, que o professordeve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender.
Ao estimular o aluno, o educador desafia-o sempre, para ele, aprendizagem é também motivação, onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido.
                       Contudo, Oliveira Filho ressalta que é fundamental que o aluno queira dominar alguma competência. O desejo de realização é a própria motivação, assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços, captando a atenção do aluno.                   Por sua vez, Inácio Feitosa (2006), analisa o papel do professor  frente à motivação (ou desmotivação) do aluno. Então, ele afirma que o professor indisciplinado e desmotivado f
oca suas energias no ensino, desprezando a aprendizagem. Não é inovador e não desperta em seu público o interesse pela matéria. Suas aulas são monótonas, cansativas, não havendo interação com a turma. Renovando esse perfil a cada semestre. E o pior: ainda chega atrasado à aula e a termina antes do tempo previsto.
Ainda para esse autor, professor indisciplinado e desmotivado transforma-se em um replicador de leituras. Leu em casa e passa para os alunos no outro dia. Esquece que a geração orkut chega à aula com milhares de mega bits de informações. A arrogância e a criação de barreiras na relação com o alunado fazem parte de sua personalidade. Evidencia maior que o docente está despreparado para exercer com maestria a arte de ensinar.
Esse perfil de professor não sabe nem portar-se em sala. Fala baixo; escreve muito no quadro; é desorganizado; não instiga os alunos a participarem das aulas; usa tecnologias, de maneira errada (professor data-show), para passar o tempo de sua aula; não realiza chamada; não registra nos diários de classe os conteúdos ministrados e repete a mesma aula da semana anterior. Ele é o caos

Nenhum comentário:

Postar um comentário